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OS ATRIBUTOS DE DEUS

 

 

 

 

 

 

 

  

 


SABADO OU DOMINGO?
SABADO OU DOMINGO?

SABADO OU DOMINGO?

Essa é uma questão profunda e importante, que envolve a interpretação das Escrituras, a teologia sistemática e a prática cristã ao longo da história. Vamos tentar organizar o pensamento sobre esse assunto de maneira clara e coerente, considerando a lei do sábado no Antigo Testamento, o cumprimento da lei por Jesus, a prática da igreja primitiva e a teologia reformada. Nosso objetivo é chegarmos a uma conclusão equilibrada, baseada nas Escrituras e na tradição teológica.

 

1. A Lei do Sábado no Antigo Testamento

O sábado era um memorial da criação (Gênesis 2:2-3) e um sinal da aliança entre Deus e Israel (Êxodo 31:16-17). Era um dia de descanso físico, adoração e santificação, no qual o povo de Israel se abstinha de trabalho e se dedicava a Deus.

O sábado também era um símbolo da libertação do Egito (Deuteronômio 5:15), apontando para o descanso e a redenção que Deus oferece ao Seu povo. No entanto, ao longo da história de Israel, o sábado foi muitas vezes negligenciado ou distorcido, transformando-se em um fardo legalista, em vez de um presente de Deus.

 

2. Jesus e o Cumprimento da Lei

Jesus afirmou claramente em Mateus 5:17: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir." Ele não aboliu a lei do sábado, mas cumpriu seu significado. Em Marcos 2:27-28, Jesus declarou: "O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de modo que o Filho do Homem é senhor também do sábado."

Jesus mostrou que o sábado não era um fim em si mesmo, mas um meio de bênção e libertação. Ele realizou curas e obras de misericórdia no sábado (João 5:1-18; Lucas 13:10-17), demonstrando que o Dia do Senhor é um tempo para fazer o bem e glorificar a Deus. Ao cumprir a lei, Jesus revelou seu verdadeiro propósito: apontar para Ele mesmo como o Senhor do sábado e a fonte do verdadeiro descanso (Mateus 11:28-30). 

 

3. A Transição para o Domingo na Igreja Primitiva

Após a ressurreição de Jesus, que ocorreu no primeiro dia da semana (Mateus 28:1), os primeiros cristãos passaram a se reunir no domingo, também conhecido como o "Dia do Senhor". Essa prática é registrada em Atos 20:7, onde os discípulos se reuniam no primeiro dia da semana para partir o pão, e em 1 Coríntios 16:2, onde Paulo instrui os crentes a separarem ofertas no domingo.

O domingo tornou-se o dia de celebração da ressurreição de Jesus, simbolizando a nova criação inaugurada por Ele. Enquanto o sábado era um memorial da criação e da libertação do Egito, o domingo passou a ser um memorial da ressurreição e da redenção em Cristo. Essa transição não foi uma rejeição do sábado, mas uma reinterpretação à luz da obra redentora de Jesus.

 

4. A Teologia Reformada e o Dia do Senhor

Na teologia reformada, o Dia do Senhor é visto como o cumprimento do sábado do Antigo Testamento. O quarto mandamento (guardar o sábado) é uma sombra do descanso eterno que temos em Cristo, mas também um meio de santificação para os crentes. O domingo é o dia em que os cristãos celebram a ressurreição de Jesus e se dedicam à adoração, ao ensino da Palavra e às obras de misericórdia.

Os reformadores, como João Calvino, enfatizaram que o Dia do Senhor não é apenas um ritual, mas uma oportunidade para os crentes se renovarem física e espiritualmente. Ele é um tempo para descansar das labutas diárias, adorar a Deus e fortalecer os laços com a comunidade de fé.

 

5. O Dia do Senhor Hoje

Com base nas Escrituras e na teologia sistemática, podemos concluir o seguinte:

<> O sábado foi dado como um mandamento para Israel, como parte da aliança mosaica. Era um memorial da criação e da redenção, um sinal da aliança entre Deus e Seu povo.

<>Jesus cumpriu a lei do sábado, revelando seu significado mais profundo. Ele é o Senhor do sábado e a fonte do verdadeiro descanso. Sua ressurreição no primeiro dia da semana inaugurou uma nova era, na qual o domingo passou a ser o dia de celebração para os cristãos.

<> A igreja primitiva adotou o domingo como o Dia do Senhor, em comemoração à ressurreição de Jesus. Essa prática não foi uma rejeição do sábado, mas uma reinterpretação à luz da obra redentora de Cristo.

<> Na teologia reformada, o domingo é o cumprimento do sábado. Ele é um dia para adorar a Deus, descansar física e espiritualmente, e antecipar o descanso eterno que os crentes herdarão na nova criação.

Guardar o Dia do Senhor hoje é um ato de fé e gratidão. Não é uma obrigação legalista, mas um presente de Deus para o nosso bem-estar físico, emocional e espiritual. É um tempo para nos deleitarmos na presença de Deus, fortalecermos nossa fé e servirmos ao próximo.

De acordo com as Escrituras, não é errado guardar o sábado, desde que isso seja feito com a compreensão correta de seu significado. O sábado apontava para o descanso espiritual que encontramos em Cristo, e agora, na era da nova aliança, o domingo é o dia em que os cristãos celebram a ressurreição de Jesus e se dedicam à adoração e ao descanso espiritual.

No entanto, a guarda do sábado não é mais uma obrigação para os cristãos, pois Jesus cumpriu a lei e nos libertou do jugo da lei mosaica (Gálatas 5:1). Os cristãos têm liberdade para guardar o domingo como o Dia do Senhor, em comemoração à ressurreição de Jesus, ou para dedicar qualquer outro dia ao Senhor, desde que isso seja feito com fé e gratidão.

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