O DIA DO SENHOR NO ANTIGO TESTAMENTO
O conceito do Dia do Senhor no Antigo Testamento está profundamente ligado ao mandamento do sábado, que foi instituído por Deus como um marco central na vida do povo de Israel. Desde o princípio, o sábado foi estabelecido como um dia de descanso e santificação, refletindo a ordem divina da criação e a aliança entre Deus e Seu povo. Em Gênesis 2:2-3, vemos que Deus descansou no sétimo dia após completar a obra da criação, abençoando e santificando esse dia. Esse ato divino não apenas estabeleceu um padrão para a humanidade, mas também revelou a importância de separar um dia para o descanso e conciliar esse dia com um tempo exclusivo para Deus, longe das atividades cotidianas.
O mandamento do sábado foi formalizado no Monte Sinai, quando Deus deu os Dez Mandamentos a Moisés. Em Êxodo 20:8-11, o quarto mandamento ordena: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho... Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou." Aqui, o sábado é apresentado como um memorial da criação, um lembrete de que Deus é o Criador de todas as coisas e que o ser humano deve depender dEle em tudo.
Além de ser um memorial da criação, o sábado também foi associado à redenção. Em Deuteronômio 5:12-15, o mandamento do sábado é reiterado, mas com uma ênfase adicional: "Lembra-te de que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia do sábado." Nessa passagem, o sábado é vinculado à libertação do Egito, mostrando que ele não é apenas um dia de descanso físico, mas também um símbolo da libertação espiritual que Deus proporciona ao Seu povo.
Ao longo do Antigo Testamento, o sábado foi um marcador central da identidade de Israel como povo de Deus. A observância do sábado era um sinal visível da aliança entre Deus e Israel, como vemos em Êxodo 31:16-17: "Guardarão o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento." A violação do sábado era considerada uma quebra grave da aliança, como exemplificado em Neemias 13:15-22, onde Neemias confronta aqueles que profanavam o sábado com atividades comerciais.
Os profetas também destacaram a importância do sábado como um dia de deleite espiritual em Deus. Em Isaías 58:13-14, o Senhor promete bênçãos especiais para aqueles que honram o sábado: "Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra... então te deleitarás no Senhor." Essa passagem revela que o sábado era um tempo para renovar o relacionamento com Deus e refletir sobre Sua bondade e fidelidade.
No entanto, a observância do sábado no Antigo Testamento também foi marcada por desafios e falhas. Em Ezequiel 20:12-13, Deus lembra Israel de que o sábado foi dado como um sinal da aliança, mas o povo frequentemente o profanava, recusando-se a guardá-lo. Essa desobediência resultou em juízo, e o descumprimento deste mandamento era tratado com severidade, como exemplificado em Números 15:32-36, onde um homem que colheu lenha no sábado foi condenado à morte, e tudo isso apontava para a necessidade de um coração transformado, que só poderia ser alcançado por meio da graça de Deus.
Na teologia reformada, o sábado do Antigo Testamento é visto como uma "sombra" do descanso espiritual que encontramos em Cristo. Em Colossenses 2:16-17, Paulo escreve: "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo." O sábado apontava para o descanso eterno que os crentes desfrutarão na nova criação, um descanso que já é experimentado em parte por meio da fé em Cristo.
Em resumo, o Dia do Senhor no Antigo Testamento era um dia de descanso, santificação e deleite espiritual em Deus. Ele servia como um memorial da criação e da redenção, um sinal da aliança entre Deus e Seu povo, e uma antecipação do descanso eterno que os crentes herdarão em Cristo. Ao estudarmos o sábado no Antigo Testamento, somos lembrados da importância de separar um tempo exclusivo para Deus, honrando-O como Criador e Redentor.