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O DIA DO SENHOR NA IGREJA PRIMITIVA
O DIA DO SENHOR NA IGREJA PRIMITIVA

O DIA DO SENHOR NA IGREJA PRIMITIVA

A prática do Dia do Senhor na igreja primitiva reflete uma mudança significativa em relação ao sábado judaico, marcada pela ressurreição de Jesus e pelo início de uma nova era na história da redenção. Após a ressurreição de Cristo, que ocorreu no primeiro dia da semana (Mateus 28:1), os primeiros cristãos passaram a se reunir no domingo, também conhecido como o "Dia do Senhor". Esse dia tornou-se o momento central de adoração e comunhão para a comunidade cristã, simbolizando a nova criação inaugurada por Jesus. Embora os cristãos continuassem a honrar o sábado, uma transição importante ocorreu, com o domingo sendo estabelecido como o "Dia do Senhor", em referência à ressurreição de Cristo. Neste dia, a Igreja se reunia para celebrar a vitória sobre o pecado e a morte, celebrando o descanso que Cristo conquistou para Seu povo.

No livro de Atos dos Apóstolos, vemos evidências claras de que os cristãos primitivos se reuniam no primeiro dia da semana. Em Atos 20:7, está registrado: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite." Essa passagem mostra que o domingo era o dia escolhido para a celebração da Ceia do Senhor e para o ensino da Palavra, práticas que se tornaram centrais na vida da igreja.

Além disso, em 1 Coríntios 16:2, o apóstolo Paulo instrui os crentes a separarem ofertas no primeiro dia da semana: "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for." Essa orientação indica que o domingo já era reconhecido como um dia especial para os cristãos, um tempo para dedicar recursos e atenção às necessidades da comunidade e à obra do Senhor.

O termo "Dia do Senhor" aparece explicitamente em Apocalipse 1:10, onde João escreve: "Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta." Essa referência ao domingo como o "Dia do Senhor" reflete a prática comum da igreja primitiva de reservar esse dia para a adoração e a reflexão espiritual. O domingo não era apenas um dia de descanso, mas um dia para celebrar a ressurreição de Jesus e antecipar a consumação do reino de Deus.

A transição do sábado para o domingo não foi uma rejeição completa da tradição judaica, mas uma reinterpretação à luz da obra redentora de Cristo. Enquanto o sábado era um memorial da criação e da libertação do Egito, o domingo passou a ser um memorial da ressurreição de Jesus e da nova criação que Ele inaugurou. Em Colossenses 2:16-17, Paulo explica que o sábado e outras festividades judaicas eram "sombras das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo." O domingo, portanto, é o cumprimento do sábado, um dia para celebrar a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte.

Os primeiros pais da igreja também testemunham a prática de guardar o domingo como o Dia do Senhor. Justino Mártir, um dos primeiros apologistas cristãos (século II), descreve em sua obra Primeira Apologia como os cristãos se reuniam no domingo para ler as Escrituras, ouvir sermões, celebrar a Ceia do Senhor e oferecer orações. Ele escreve: "No dia chamado domingo, todos os que vivem nas cidades ou nos campos se reúnem em um lugar, e as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos... Então, quando o leitor termina, o presidente instrui e exorta à imitação dessas coisas boas."

A prática de guardar o domingo como o Dia do Senhor também foi reforçada pela teologia da nova criação. Em 2 Coríntios 5:17, Paulo declara: "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas." O domingo, como o dia da ressurreição de Jesus, simboliza essa nova criação e aponta para o descanso eterno que os crentes herdarão no reino de Deus. Em Hebreus 4:9-10, lemos: "Portanto, resta um repouso sabático para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas." O domingo é, portanto, uma antecipação do descanso eterno que os crentes desfrutarão na nova criação.

Na igreja primitiva, o Dia do Senhor era um tempo de alegria, celebração e comunhão. Era um dia para os crentes se reunirem, adorarem a Deus, compartilharem suas vidas e recursos, e se fortalecerem mutuamente na fé. O domingo não era apenas um dia de descanso físico, mas um dia de renovação espiritual, um tempo para se deleitar no Senhor e em Sua obra redentora.

Em resumo, o Dia do Senhor na igreja primitiva era uma celebração da ressurreição de Jesus e da nova criação que Ele inaugurou. O domingo tornou-se o dia central de adoração e comunhão para os cristãos, substituindo o sábado judaico como o dia dedicado ao Senhor. Ao estudarmos a prática da igreja primitiva, somos lembrados da importância de reservar o Dia do Senhor para a adoração, a comunhão e a celebração da obra redentora de Cristo.

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